terça-feira, 25 de agosto de 2015

Masterchef - A cozinha ensina para a vida



            Talvez meu caro leitor não assista ao programa Masterchef Brasil. Assim sendo, evidenciarei bem os casos que quero comentar.
            No último episódio, dois competidores foram para a eliminação: Lucas e Fernando. Os dois cometeram erros gravíssimos que podem servir de alerta para nossas vidas, mesmo fora da cozinha.
            O participante Lucas errou duas vezes. Na primeira, quando a prova era fazer um simples bife à milanesa, ele inventou fazer uma maionese, perdendo totalmente o foco, prejudicando o prato principal.
            Muitas vezes pagamos o preço por perder o foco e investir nossas energias em coisas que não nos darão retorno. Ao contrário, essas coisas só vão tomar nosso tempo, sugar nossas energias e nos deixar vulneráveis quanto ao resultado final.
            No mesmo episódio, Lucas teria que fazer uma linguiça com os ingredientes propostos e ainda providenciar acompanhamento. A linguiça ficou crua e o molho à campanha escolhido não foi uma boa opção, pois o caldo deste escorreu para o prato principal. Um dos jurados observou que o molho nunca é servido com o prato principal, mas à parte para não ocorrer que o caldo deixe o prato molhado.
            Na vida também fazemos escolhas erradas e não observamos as regras universais mais simples e do conhecimento de todos. Quando isso acontece, outras áreas são envolvidas e prejudicadas, deixando a vida crua e sem sabor.
            Fernando é conhecido por sua teimosia. Isso lhe custou perda de pontos ao fazer um bife fora dos padrões. O mesmo ocorreu quando fez a linguiça e o acompanhamento. Os chefes o alertaram que o pretendido prato de família além de complexo, demandaria tempo. Todavia, desconsiderando os avisos e querendo algo inovador e desafiante, não conseguiu finalizar com eficiência, amargando duras críticas dos jurados. Aliás, foi-lhe dito que seria um desastre na cozinha, pois não costuma ouvir os conselhos, sendo que cozinhar em um restaurante é ato conjunto, exigindo a cooperação de cada integrante.
            Quantos de nós agimos da mesma maneira que o Fernando quando não ouvimos os conselhos e ainda desconsideramos as consequências de um empreendimento que tem tudo para o insucesso?  A vida é simples e às vezes a complicamos, ignorando que nem sempre o que deu certo para uma pessoa ou num determinado momento será coroado de êxito por outra pessoa, em outro momento.
            A vida sempre dá oportunidades de recomeçar. Fernando errou muitas vezes e por pouco não viu seu sonho terminar. Lucas foi eliminado. Todavia, ele sempre foi alertado a seguir a receita e inovar na hora certa e não em horas especiais em que o erro seria fatal.
            Também temos várias oportunidades na vida, pois sempre nos é dado um aviso quando o limite está perto. Se quisermos seguir no jogo da vida, precisamos ser cautelosos e aprender com os erros e não mais cometê-los, pois ir para final pode até fazer parte do jogo, mas ser eliminado é ter que entregar o avental e saber que é o fim da linha, o término de um sonho, a impossibilidade de conseguir o almejado prêmio.
            Vivamos com o tempero simples da vida para nunca perdemos o sabor e o aroma que ela nos proporciona e sermos sempre campeões.


             Carlos Alberto Betinho

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Justiça social – e eu com isso?


        
Se há algo que está em moda hoje em dia é falar mal dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Na verdade não é “estar na moda”, mas a injustiça reinante faz com que nossa indignação se transforme em protestos e inconformismo.
A corrupção está generalizada e toma conta dos poderes constituídos e dos cidadãos sem preceitos éticos e morais, a tal ponto que subverteram o Direito.
Hoje temos autoridades que desviaram milhões de reais ainda exercendo o poder; pessoas do alto escalão condenadas, mas soltas por terem bons advogados e que manuseiam bem os chamados remédios jurídicos. Todavia, encontram-se encarcerado o pobre que furtou um pacote de biscoito no mercado para saciar sua fome.
Quando falo do furto famélico não exalto a ilicitude do furto, mas vejo que a balança está grandemente desequilibrada, usando dois pesos e duas medidas. Há muitos presos com direito à liberdade, pois já cumpriram suas penas, mas não há quem interceda por eles.
Essa história não é nova e quando lemos o livro do profeta Amós vemos que sua missão foi denunciar a injustiça social que imperava no seu tempo, diante da deterioração da moralidade e da justiça social.
O livro mostra que os juízes tendiam suas decisões a favor dos ricos, evidencia o tráfico de pessoas, salienta a questão do suborno, da expropriação de terras, da opressão aos pobres, da exploração do semelhante para conseguir riquezas, do sentimento de vingança, da crueldade, da falsa amizade, religiosos fazendo o jogo do poder por medo de colocar seus sustentos em riscos. Se alguém pegar este parágrafo isolado vai pensar que falamos dos dias atuais, mas é uma verdade que data de 765 a 750 a.C.
Mas a pergunta que não quer calar: o que tenho a ver com isso? O que a igreja tem com a injustiça social, se não é cometida por ela?
Para não ficar algo pessoal, vou repetir as frases retiradas da revista Palavra e Vida, Lição 4, cujo tema é Justiça Social: acomodação ou denúncia?
“Denunciar a injustiça deve ser uma atitude de coerência com a fé cristã”.
“Denunciar é muito mais do que murmurar, é ser partícipe da solução”.
“...todos precisam ser iguais no respeito, dignidade, convivência e direitos”.
“Explorar as pessoas e usá-las para conseguir riquezas sempre será uma injustiça”.
“Deus detesta quando alguém diz que é amigo e age como inimigo”.
“Sentimento de vingança perpétua é impor injustiça”.
“A ética não se mede pelo valor, pelo montante. A corrupção está numa simples moeda”.
“Tribunais que favorecem os ricos e poderosos serão alvos da manifestação da ira de Deus”.
Muitas outras frases e versículos poderiam ser mencionados, mas deixo o versículo 12 de Amós 4 que diz “... prepara-te, ó Israel para te encontrares com o teu Deus”.
Por fim, o texto da lição é claro ao afirmar que a verdadeira religião preza por justiça social e que, como luz e sal da terra, não podemos nos omitir, nos calar e nos esconder debaixo da cama.
Para pensar e agir: Eu e você somos defensores da justiça ou instrumentos da injustiça?
As nações não ficaram impunes e os injustos deste século também não ficarão.

Amém!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ser uma pessoa melhor


             Ser uma pessoa melhor – esta é a meta!
            Em todas as manhãs quando acordo, peço a             Deus para ser uma pessoa melhor do que fui no dia anterior. Mas todas as vezes que deito para dormir, vejo como eu poderia fazer diferente e ser, pelo menos, a pessoa que Deus deseja que eu seja.
          Peço a Deus que me livre dos maus pensamentos, das ações impensadas e do conformismo com a sociedade de consumo, da indiferença e da hipocrisia.
             Rogo para que não seja indiferente às necessidades do meu semelhante e que possa fazer tudo que estiver ao meu alcance para valorizar e resgatar o próximo que está tão próximo. Sei que não vou salvar o mundo, mas se posso salvar o mundo de uma pessoa, todo esforço será pouco para conseguir o intento.
          Clamo para que não seja infiel aos princípios sedimentados ao longo do tempo, mas confesso que os tenho revisitado a cada manhã para que não seja somente um dogma, mas uma realidade vivida, experimentada e internalizada.
           Por fim, oro para que tenha a oportunidade de passar pelo mundo e deixar uma marca para que alguém olhe e se sinta motivada a ser também diferente, buscando o seu melhor e certamente sendo melhor do que o meu melhor que consegui deixar como prova de que é possível sempre melhorar a cada instante!
           Vou ser melhor hoje do que fui ontem. Será que consigo? E você? 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

COISAS DO CADU!

Guardem o nome desse projeto: COISAS DO CADU! Você ainda ouvirá falar dele!
Veja mais em https://www.catarse.me/pt/coisasdocaduolivro


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ser negro


            Dificilmente abordo temas raciais, pois acredito que quanto mais falo de diferenças, mais as evidencio. Se todos são iguais, não faz sentido falar em direitos do negro, defesa do índio e outros mais, mas sim da dignidade que a pessoa humana merece.
            Entretanto, nesta semana li uma publicação aparentemente inocente que reafirmou minha crença que o estereótipo do negro não é marcado tão somente pelos lábios grossos e pele negra, há um pouco de generalização, que as pessoas insistem em repetir sem conhecimento de causa.
            Essa coisa do estereótipo é interessante, pois até mesmo a região de origem pode taxar a pessoa, como no caso do carioca. Nós, da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, temos a fama de esperto, malandro, aproveitador e pouco chegado ao trabalho. Apesar de adorarem nosso humor, nossa hospitalidade e nosso trato quase fraternal com quem mal conhecemos, carregamos a pecha de tirar proveito em qualquer situação, o que provoca desconfiança à primeira vista. Ainda bem que não é a primeira impressão a que fica.
            Daí as pessoas agirem de forma contraditória quando se está diante de uma situação inesperada, chegando as declarações serem inusitadas. Se tem uma coisa que me chateia é quando me chamam de “doutor”. Por que doutor se não fiz doutorado? Talvez seja por isso que tenho dificuldade de chamar até médico de doutor. Qualquer “engravatado” quer ostentar um título que não possui: “pode me chamar de Doutor Fulano de Tal”. Dá vontade de perguntar: Qual foi sua tese de seu doutorado?
            Ser negro no Brasil é ser negro. Assim como ser branco é ser branco. O problema é quando se compara negro com branco, negro com criminalidade, negro com violência, negro com cota social, negro com alma branca e coisa do gênero...  aí coisa fica desigual.
            Talvez valha a pena fazer uma declaração: ser negro não doi, o que doi é ver a ignorância dos preconceituosos que esquecem que o sangue de suas veias também é da cor vermelha, igual a minha e de tantas outras pessoas ditas iguais ou diferentes.

            Por fim, nada mais triste do que uma pessoa que não aceita a si mesma. Defeitos e qualidades não são privilégios de raça ou credo é uma questão de humanidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sabor da infância


         O sabor mais marcante da minha infância não vem do que eu comi, mas do que imaginei. Ele advém de uma figura de revista em quadrinhos, quando os netos sempre pegavam a torta de maçã americana que a vovó Donalda (Walt Disney) deixava esfriando no parapeito da janela.
         Eu ficava imaginando o sabor daquela torta, em especial quando os personagens falavam que era impossível comer apenas um pedaço. Confesso que até o cheiro ilustrado eu sentia.
         Anos se passaram e eu procurei essa torta por todos os lugares. Encontrei muita coisa boa, mas nenhuma chegava próximo da memória olfativa que ganhei pelas folhas dos gibis. Pode parecer loucura, mas eu sabia exatamente o que queria e o que procurava.
         Cheguei a experimentar tortas do Amor em Pedaços, Parmê, Tortarelli e outras empresas do ramo, mas sem qualquer sucesso.
         Desiludido, resolvi procurar uma receita que pudesse chegar próximo ao meu sonho e eu mesmo executar. Achei duas propostas e resolvi pegar a massa e a cobertura de uma e o recheio de outra. Minha esposa é radicalmente contra isso, pois fico com duas ou três receitas abertas no computador e (segundo ela) depois não sei qual estou fazendo.
         Muito a contragosto, ela me ajudou a executar a receita. Ao final, descobrimos a fórmula secreta e pudemos gritar EUREKA.
         Confesso que essa história de querer o sabor da infância rendeu boa DR (discutição da relação) e cheguei a ser chamado de louco, mas minha persistência à procura do sabor perfeito teve êxito.
         Tudo isso me confirmou uma verdade: se é possível sonhar, é possível realizar!
         Não sei se tenho uma nova receita, mas sei que o sabor, o aroma e o visual são iguais (ou bem próximos) àquele registrado na minha memória e que me fazia ficar com água na boca.

         Consegue caro leitor sentir o sabor da minha torta? Então venha experimentar e conheça o sabor da minha infância.

sábado, 6 de junho de 2015

Cozinhar ensina a ser uma pessoa melhor




Nunca pensei que a cozinha pudesse ser uma sala de aula e dali extrair lições tão preciosas.
Eu sou uma pessoa ansiosa por natureza e quero tudo para ontem. A cozinha confirmou o que devia ter aprendido: há tempo para todas as coisas. Nada cozinha antes do tempo, pega tempero fora do tempo ou conserva por tempo indeterminado sem perder qualquer das propriedades. O apressado come cru, quente ou congelado.
Aprendi que assim como quem quiser construir uma torre, primeiro se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la, na cozinha não é diferente. Primeiro tem que comprar e conferir se os ingredientes estão presentes.
Aliás, os franceses chamam essa organização de mise en place, que consiste em separar todos os utensílios e ingredientes necessários para executar o prato. Os ingredientes devem ser medidos, e, se necessário, as verduras, legumes e carnes descascados e cortados, assim como os utensílios devidamente dispostos para manuseio.
Na cozinha aprendi a desenvolver a criatividade. Nada é exatamente como descrito na receita, de modo que não caiba o toque pessoal. Ainda aprendi que tudo é uma questão de causa e efeito, de modo que devo seguir atentamente a orientação do criador se quiser chegar ao resultado tal qual descrito na receita.
Foi cozinhando que confirmei como é bom ter os amigos à mesa, comendo o pão nosso de cada dia e em especial quando feito por nós e concedido pelo Senhor do trigo.
Aliás, nada melhor do que dar forma, aroma e sabor à matéria prima e ainda poder alegrar o coração daqueles que compartilham os nossos pratos. Se tudo é vaidade, envaidece provocar um sorriso de aprovação pelo resultado final.

Por fim, aprendi muito mais e ainda que descansar é uma necessidade e não tem nada mais relaxante do que descansar trabalhando na cozinha.